Oops... I did it again
- Matheus Ussam

- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Este é um texto diferente, não pretendo tratar de teoria, revisionar, passar pelo crivo criativo ou jurídico de qualquer sujeito, apenas expressar o meu interior. Certa vez me disseram que por eu ser alcoólatra eu deveria ter mais controle sobre mim e não militar contra o álcool e esta certo, errado porém é que eu detestar os efeitos do álcool e entender que nenhum benefício justifica o risco é "militar contra" o consumo, que aliás é hiper estimulado.
Sim, sou alcóolatra, o que chamamos de Alcóolatra Funcional: não bebia todos os dias, mas se eu bebesse um único dia valeria por um mês. E por isso eu não posso beber, pois como diz a anedota: eu não bebo, mas quando bebo me transformo em alguém que bebe e ele bebe muito. Então eu não bebo. Mas ai virem dizer que eu preciso ter controle?
Não, não há controle, há tratamento e abstinência, a cada gole é um risco real de se perder o controle, dependendo de muitos fatores. O que você pode, como alcóolatra, é optar por correr ou não o risco. E qual o risco de se beber demais? Eis a questão. Desde os clínicos como cirrose, até os psicológicos como depressão, incorremos em crimes, em injúrias, calúnias, difamações, abusos sexuais e verbais, financeiros, violências físicas e vomitamos o que muitas vezes ruminamos por anos. Ah, mas tem gente que não tem nenhum destes problemas. Amigo, se bebe todo dia é dependente, se bebe para esquecer é dependente, pra relaxar? Ta no caminho.
A maioria das pessoas não deveria beber, e digo isso não pautado em percepção seletiva, mas na evolução humana. Vamos usar a Bíblia como argumento? Jesus gostava de beber, Noé também, Ló também. Destes 3, dois fizeram besteiras bêbados, daquelas que hoje seria notícia, hater e linchamento virtual senão crime. Imagina que, há 3 mil anos a bebida já era mencionada como algo que não se deveria consumir por todos, deveria ser evitada. Não se trata efetivamente da veracidade do que esta escrito, mas "se tem placa, tem história".
A diferença vem na forma da culpa. Hoje em dia ela esta muito mais presente pelo fato de que existe a imensa possibilidade do alcóolatra virar um meme. Mas nem é sobre isso o causo, a questão que retorna é o entendimento de que não podemos transformar a bebida em algo ruim. Não, um revólver não é ruim até que seja disparado. A diferença é que, quem tem o dedo frouxo não pode ter arma em casa.
Então qual a questão? A questão é que socialmente a bebida alcóolica é estimulada como sinônimo de confraternização, e obrigar alguém que não pode beber a confraternizar estando exposto a isso é de uma crueldade absurda, pois sabendo da questão o que as pessoas esperam é o momento em que apontarão o dedo e julgarão a pessoa, mesmo sabendo que ela nem mesmo queria estar lá. Óbvio que a culpa é dela! A recaída é dela! Mas ai entra a outra face, culpa nossa: por qual motivo não respeitamos a opção alheia? Só um teco, um gole, um trago, um pega, um pedaço, só umazinha, uma rapidinha, só 10 reais, ninguém vai ver, vamos ali, só mais esta vez.
Ops, eu fiz de novo. Eu sei que a culpa é minha, só minha, mas o que me culpo é pelo fato de não ter me ouvido: eu nem queria ter ido. Isso é, além de um desabafo, um alerta: Não é Não, seja sexualmente, seja em qualquer outra situação.




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